Hoje eu e minha turma da faculdade fomos a penitenciária agrícola Dr.Mário Negócio, acompanhados pelo professor de realidade política e econômica do RN, Antônio Gomes.
Foi um aprendizado realmente muito bom, talvez eu tenha aprendido coisas ao equivalente de um ano em um dia. Primeiramente fomos conversar com o vice-diretor Manoel de Lima da Assunção, que relatou vários pontos importantes sobre a dinâmica da penitenciária, entre esses pontos estava o número impressionante de noventa por cento de reincidência por parte dos presidiários viciados em alguma droga que por sua vez retornam após cometer novamente um novo delito. Outro quesito que merece atenção é o de que quase todas as oficinas estão paradas devido à falta de verba, vale ressaltar que essas oficinas têm o intuito de ocupar os presos, ensinando-lhes uma atividade, os tornando úteis e mostrando o quanto o trabalho é dignificante. São várias as oficinas, entre elas a arca das letras que já apareceu no programa Fantástico da TV Globo, a mini biblioteca onde os livros são destinados as pequenas cidades do interior, a fabricação de bolas, vassouras, bijuterias, velas, mel, frutas e artesanatos. A logística das oficinas é simples: eles compram a matéria prima e o lucro é dividido igualmente para os detentos e para a penitenciária, embora os detentos não possam ficar com mais de quarenta reais de uma só vez, evitando assim o tráfico e demais tipos de atividades ilícitas dentro da cadeia, ou a obtenção de drogas ou outros objetos através das visitas. Com o dinheiro obtido nessas atividades já foram adquiridas câmeras de segurança e mesas de escritório, ou seja, é o serviço dos governantes sendo feito pelo cidadão comum. O senhor Manoel de Lima também falou sobre a capacidade física do complexo Mário Negócio que deveria acomodar 212 detentos no regime fechado, mas atualmente se encontra com 240 e com 115 no regime semi-aberto divididos entre os pavilhões um e dois conhecido como o pavilhão amarelo, sendo o mais cobiçado pelos presidiários já que as celas comportam no máximo três presos, e o pavilhão três que comporta até doze presos, mas foi construído para apenas oito. Nos 663 hectares de terra da penitenciária ocorre uma enorme evasão por parte dos integrantes do regime semi-aberto (onde, aliás, alguns trabalham em lugares públicos como a central do cidadão e até em padarias, e á noite voltam á prisão só para dormir), o vice-diretor chegou a dizer que nessa copa não assistiu á nenhum jogo do Brasil na íntegra porque é chamado as presas para a Mário Negócio devido as fugas, isso também acontece no natal, ano novo e carnaval. Diariamente trabalham 15 agentes penitenciários e 24 policiais para escoltas. A comida não falta, inclusive são produzidas 2.500 refeições pelos detentos na cozinha industrial, que segundo o vice-diretor é a “menina dos olhos” dos presidiários. Embora as condições não sejam ruins elas ainda podiam ser bem melhores, pois sabemos que o governo gasta três salários e meio no sustento de um detento, ou ao menos teoricamente, já que as verbas muitas vezes não chegam ao real destinatário. Após esse apanhado geral sobre o funcionamento da penitenciária nós fomos conversas com os protagonistas do lugar, foi aí que eu conheci pessoas que tinham muito a me ensinar, ou talvez a me ensinar tudo que eu não devo aprender a fazer e a ser, mas que mesmo assim tinham muito para me acrescentar. Vamos às apresentações:- Hélio “Estou melhor do que antes, pois passei quatro anos preso em uma delegacia apertada, fui preso por roubo e pela lei Maria da Penha.” - Josimar “Passei dois anos e quatro meses no regime fechado, fazem sete meses que estou no aberto, e cumpro pena por homicídio. Meu comportamento é bom e eu tenho fé em Deus que vou sair daqui. A polícia também faz coisas erradas.” Outros me chamaram atenção pelo fator da idade, Manoel é agricultor e tem 66 anos,jura que transportou drogas sem saber do que se tratava,cumpriu sete meses de pena e ainda tem mais um ano pela frente. Weverton tem 26 anos, é jovem, simpático e comunicativo, ainda lhe faltam sete anos de pena a ser cumprida pelo ato de assalto, ele me disse que está alí porque quer pagar o que deve, mas se quisesse fugir seria muito simples, já que se encontra em regime semi-aberto, e acrescentou “Mas aqui os funcionários nos respeitam e nós os respeitamos.” Já no final da entrevista, João Maria que já cumpriu dez anos por tráfico de drogas me disse: “Aqui é uma faculdade, ou pro crime ou pro bem, depende de cada um.” A penitenciária Mário negócio é o lar daqueles que hoje pela manhã conversaram comigo e me deram muitos sorrisos largos, mas com muita tristeza embutida, é também o refúgio de viciados, de pessoas que roubaram ou por necessidade ou por prazer, de homicidas, de moços, de idosos, de um italiano que já cumpriu sua pena por tráfico, mas não tem como ser extraditado e que me disse que sente falta de comer lazanha ao funghi, vinho e de Veneza. E além de tudo isso lá também tem um quadro na parede da recepção, onde se encontram fotos de fugitivos e em algumas tem um 'x' feito de caneta, com a palavra ‘morto’ ao lado da fotografia. Infelizmente uns não conseguem aproveitar a liberdade para se ressocializarem no seio da sociedade, outros fogem da cadeia e lá fora vão de encontro com a morte. E eu vou ficar torcendo para que aqueles meninos e homens que eu conhecí hoje possam sair daquele ambiente e espalhar sorrisos e lições para nós aqui,que também estamos passíveis a erros.
Foi um aprendizado realmente muito bom, talvez eu tenha aprendido coisas ao equivalente de um ano em um dia. Primeiramente fomos conversar com o vice-diretor Manoel de Lima da Assunção, que relatou vários pontos importantes sobre a dinâmica da penitenciária, entre esses pontos estava o número impressionante de noventa por cento de reincidência por parte dos presidiários viciados em alguma droga que por sua vez retornam após cometer novamente um novo delito. Outro quesito que merece atenção é o de que quase todas as oficinas estão paradas devido à falta de verba, vale ressaltar que essas oficinas têm o intuito de ocupar os presos, ensinando-lhes uma atividade, os tornando úteis e mostrando o quanto o trabalho é dignificante. São várias as oficinas, entre elas a arca das letras que já apareceu no programa Fantástico da TV Globo, a mini biblioteca onde os livros são destinados as pequenas cidades do interior, a fabricação de bolas, vassouras, bijuterias, velas, mel, frutas e artesanatos. A logística das oficinas é simples: eles compram a matéria prima e o lucro é dividido igualmente para os detentos e para a penitenciária, embora os detentos não possam ficar com mais de quarenta reais de uma só vez, evitando assim o tráfico e demais tipos de atividades ilícitas dentro da cadeia, ou a obtenção de drogas ou outros objetos através das visitas. Com o dinheiro obtido nessas atividades já foram adquiridas câmeras de segurança e mesas de escritório, ou seja, é o serviço dos governantes sendo feito pelo cidadão comum. O senhor Manoel de Lima também falou sobre a capacidade física do complexo Mário Negócio que deveria acomodar 212 detentos no regime fechado, mas atualmente se encontra com 240 e com 115 no regime semi-aberto divididos entre os pavilhões um e dois conhecido como o pavilhão amarelo, sendo o mais cobiçado pelos presidiários já que as celas comportam no máximo três presos, e o pavilhão três que comporta até doze presos, mas foi construído para apenas oito. Nos 663 hectares de terra da penitenciária ocorre uma enorme evasão por parte dos integrantes do regime semi-aberto (onde, aliás, alguns trabalham em lugares públicos como a central do cidadão e até em padarias, e á noite voltam á prisão só para dormir), o vice-diretor chegou a dizer que nessa copa não assistiu á nenhum jogo do Brasil na íntegra porque é chamado as presas para a Mário Negócio devido as fugas, isso também acontece no natal, ano novo e carnaval. Diariamente trabalham 15 agentes penitenciários e 24 policiais para escoltas. A comida não falta, inclusive são produzidas 2.500 refeições pelos detentos na cozinha industrial, que segundo o vice-diretor é a “menina dos olhos” dos presidiários. Embora as condições não sejam ruins elas ainda podiam ser bem melhores, pois sabemos que o governo gasta três salários e meio no sustento de um detento, ou ao menos teoricamente, já que as verbas muitas vezes não chegam ao real destinatário. Após esse apanhado geral sobre o funcionamento da penitenciária nós fomos conversas com os protagonistas do lugar, foi aí que eu conheci pessoas que tinham muito a me ensinar, ou talvez a me ensinar tudo que eu não devo aprender a fazer e a ser, mas que mesmo assim tinham muito para me acrescentar. Vamos às apresentações:- Hélio “Estou melhor do que antes, pois passei quatro anos preso em uma delegacia apertada, fui preso por roubo e pela lei Maria da Penha.” - Josimar “Passei dois anos e quatro meses no regime fechado, fazem sete meses que estou no aberto, e cumpro pena por homicídio. Meu comportamento é bom e eu tenho fé em Deus que vou sair daqui. A polícia também faz coisas erradas.” Outros me chamaram atenção pelo fator da idade, Manoel é agricultor e tem 66 anos,jura que transportou drogas sem saber do que se tratava,cumpriu sete meses de pena e ainda tem mais um ano pela frente. Weverton tem 26 anos, é jovem, simpático e comunicativo, ainda lhe faltam sete anos de pena a ser cumprida pelo ato de assalto, ele me disse que está alí porque quer pagar o que deve, mas se quisesse fugir seria muito simples, já que se encontra em regime semi-aberto, e acrescentou “Mas aqui os funcionários nos respeitam e nós os respeitamos.” Já no final da entrevista, João Maria que já cumpriu dez anos por tráfico de drogas me disse: “Aqui é uma faculdade, ou pro crime ou pro bem, depende de cada um.” A penitenciária Mário negócio é o lar daqueles que hoje pela manhã conversaram comigo e me deram muitos sorrisos largos, mas com muita tristeza embutida, é também o refúgio de viciados, de pessoas que roubaram ou por necessidade ou por prazer, de homicidas, de moços, de idosos, de um italiano que já cumpriu sua pena por tráfico, mas não tem como ser extraditado e que me disse que sente falta de comer lazanha ao funghi, vinho e de Veneza. E além de tudo isso lá também tem um quadro na parede da recepção, onde se encontram fotos de fugitivos e em algumas tem um 'x' feito de caneta, com a palavra ‘morto’ ao lado da fotografia. Infelizmente uns não conseguem aproveitar a liberdade para se ressocializarem no seio da sociedade, outros fogem da cadeia e lá fora vão de encontro com a morte. E eu vou ficar torcendo para que aqueles meninos e homens que eu conhecí hoje possam sair daquele ambiente e espalhar sorrisos e lições para nós aqui,que também estamos passíveis a erros.